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02 junho 2015

Por Isso a Gente Acabou, de Daniel Handler

Seja como Daniel Handler ou Lemony Snicket- que é o pseudônimo do Daniel Handler – na capa, eu vou querer ler o livro. Li poucos livros do Daniel Handler, mas a narrativa dele é sempre interessante e diferenciada, ela parece um emaranhado de pensamentos meio desconexos que foram encaixados em um livro e que deu certo. Ai você me pergunta: isso é bom? Bom, às vezes sim, é uma narrativa estranha, rápida e informal que me atrai.

Por Isso a Gente Acabou é uma carta enorme que a Min escreve para o Ed Slarteron despois que eles terminam. A carta conta a estória de como se conheceram e seu relacionamento até o termino. A carta é entregue numa caixa junto com vários itens que Min guardou ao longo do relacionamento como brincos que ela ganhou do Ed, uma camisa e ingressos para o cinema.

A edição da Companhia das Letras é um diferencial a mais, que além de ser linda, é cheia de ilustrações dos itens citados pela Min ao longo do livro.

Não vou mentir, Por Isso a Gente Acabou é o livro que me deixou com o sentimento mais confuso após a leitura. Durante a leitura eu estava amando o livro, e ao chegar ao final do livro, fui pensando mais sobre ele e encontrando defeitos aonde não queria. Por Isso a Gente Acabou é, apesar de tudo, um livro bom, não me entendem mal. Por Isso a Gente Acabou é um livro que explora um relacionamento entre dois adolescentes ao máximo e por mais defeitos que o livro possua, não tinha como ficar indiferente ou não se identificar com alguns pontos da estória.

"Foi por isso que a gente acabou, por uma coisinha pequena que sumiu ou quem sabe nunca tenha estado de verdade nas minhas mãos."
Eu adorei o modo como a Min Green e o Ed Slarteron se conheceram e como eles parecem que se atraíram para o fato do quanto eles eram diferentes. A Min gosta de café e assistir a filmes antigos e o Ed é um aluno popular da escola e co-capitão do time de basquete. O fato de eles serem tão diferentes e saírem tanto de sua zona de conforto para fazer o relacionamento dar certo é interessante.

Um exemplo é quando a Min compra um café para o Ed – que até o momento odiava café – e ele adora e fala que vai se lembrar dela sempre que o tomar. O fato de eles saírem da zona de conforto e conhecer coisas novas é bem real, porque o relacionamento pode acabar, mas coisas pequenas como essas ficam e podem até vir a fazer parte do nosso cotidiano sem percebemos.


A Min é adorável, inteligente e a sinceridade e intensidade que ela coloca na carta é admirável. É complicado falar do Ed porque o vemos através dos olhos da Min e mesmo não achando ele uma pessoa tão legal, ele é um personagem interessante. Pode parecer exagero, mas eu adoraria ler essa estória pelos olhos do Ed também. O Al - mellhor amigo da Min - é um amorzinho e a todo momento eu me divertia com o jeito dele.

Um dos pontos negativos do livro foram alguns monólogos da Min, alguns eram ótimos e davam mais poder para a personagem, mas alguns chegavam a ficar meio chatos. Às vezes o livro parecia se contradizer, mas tampando o sol com a peneira ou não, atrelei isso ao fato da Min estar escrevendo a carta pouco tempo após o termino e de coração partido.


Outra coisa meio chata são as referencias a filmes da Min. Gente, eu estou chocada porque uma das coisas que mais amo em livro são referencias então, por favor, fique tão chocado quanto eu. Admito que as referências deram um charme a estória, mas tinha hora que era muita referencia a filmes que eu nunca vi e isso foi um pouco chato. 

Mesmo com os pontos negativos, separo Por Isso a Gente Acabou como um dos livros mais legais sobre relacionamento e sobre términos. Além de relacionamentos, o livro também fala sobre sexo, amizade, escola e autoestima. Mesmo não sendo ótimo, é um bom livro e recomendo a todos que gostam de YA a conhecer a estória de Min Green e Ed Slarteron. 


* Li algumas noticias há algum tempo que Por Isso a Gente Acabou iria ter uma adaptação cinematográfica, só que nunca mais vi nada sobre isso. Porém, um filme seria legal, então estou torcendo para esse filme acontecer.

* O incrível Daniel Handler tem o why we broke up project - Projeto Por Isso a Gente Acabou - no tumblr onde os leitores podem contar a estória de algum termino. Eu mesma já fiquei horas lendo alguns relatos e adorei. E o melhor, tem relatos de algumas pessoas bem incríveis como, sei lá, Neil GaimanMatthew Quick, David LevithanHolly Black e mais outros. ENTÃO NÃO É POUCA COISA! Então mesmo que não tenha curtido a trama do livro, clica aqui e conheça o projeto porque é bem legal!!


Título Original: Why We Broke Up
Autor: Daniel Handler
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 368

01 maio 2015

Os Homens Que Não Amavam as Mulheres (Millennium #1), de Stieg Larsson


Antes mesmo de saber que era um livro, vi a adaptação sueca de 2009 de Os Homens que não Amavam as Mulheres e adorei! O filme estava na locadora – saudades de locadoras! – na sessão de lançamentos e com Lisbeth Salander em primeiro plano na capa. Ai em 2011, antes de eu poder ler o livro, saiu a adaptação americana de Os Homens que não Amavam as Mulheres. Eu já sabia tudo da estória e já amava Lisbeth Salander, agora era a hora de finalmente ler a trilogia e fico feliz que fiz isso porque Stieg Larsson me apresentou um livro intenso e com personagens únicos.

Em 1966, Harriet Vanger, jovem herdeira de um império industrial, some sem deixar vestígios. No dia de seu desaparecimento, fechara-se o acesso à ilha onde ela e diversos membros de sua extensa família se encontravam. Desde então, a cada ano, Henrik Vanger, o velho patriarca do clã, recebe uma flor emoldurada - o mesmo presente que Harriet lhe dava, até desaparecer. Ou ser morta. Pois Henrik está convencido de que ela foi assassinada. E que um Vanger a matou.

16 dezembro 2012

Livros: Próximos Lançamentos #16

Oi gente! Mais lançamentos e muitos deles são continuações de séries que eu nem comecei a ler ou começo de novas séries, e confesso que o que mais me interessou foi Amor Contra o Tempo e Ficando Longe do Fato de Já Estar Meio Que Longe de Tudo, e Blindfolded me chamou a atenção.


Gostaram de algum lançamento ou esperam ansiosamente por algum?

03 dezembro 2012

As Intermitências da Morte - José Saramago

Título Original: As Intermitências da Morte
Autor: José Saramago
Editora: Companhia das Letras
Páginas:  208
Nota: 4/5

"Não há nada no mundo mais nu que um esqueleto", escreve José Saramago diante da representação tradicional da morte. Só mesmo um grande romancista para desnudar ainda mais a terrível figura. Apesar da fatalidade, a morte também tem seus caprichos. Cansada de ser detestada pela humanidade, a ossuda resolve suspender suas atividades. De repente, num certo país fabuloso, as pessoas simplesmente param de morrer. E o que no início provoca um verdadeiro clamor patriótico logo se revela um grave problema. Idosos e doentes agonizam em seus leitos sem poder "passar desta para melhor". Os empresários do serviço funerário se vêem "brutalmente desprovidos da sua matéria-prima". Hospitais e asilos geriátricos enfrentam uma superlotação crônica, que não pára de aumentar. O negócio das companhias de seguros entra em crise. O primeiro-ministro não sabe o que fazer, enquanto o cardeal se desconsola, porque "sem morte não há ressurreição, e sem ressurreição não há igreja". Um por um, ficam expostos os vínculos que ligam o Estado, as religiões e o cotidiano à mortalidade comum de todos os cidadãos. Mas, na sua intermitência, a morte pode a qualquer momento retomar os afazeres de sempre. Então, o que vai ser da nação já habituada ao caos da vida eterna? Ao fim e ao cabo, a própria morte é o personagem principal desta "ainda que certa, inverídica história sobre as intermitências da morte". É o que basta para o autor, misturando o bom humor e a amargura, tratar da vida e da condição humana.

Imaginem que um dia as pessoas simplesmente parem de morrer, que a morte suspendeu suas atividades, pelo menos em tal pais, bom, isso parece ser uma coisa maravilhosa de inicio, mas logo isso se torna um caos. Com este enredo e com o desfecho sensacional do livro, estou certa em dizer que o Saramago é um dos autores mais criativos que eu já li.